Seu exame não justifica a sua queixa de dor

Já recebi diversos pacientes em consultório que passaram por uma situação em que foram avaliados por médicos que fizeram diversos exames, não encontraram lesões e, portanto, invalidaram a dor do paciente.

Para estes pacientes, tento explicar o seguinte:

Dor não é igual a lesão.

Não necessariamente vamos achar uma lesão que justifique a dor.

Dor é uma resposta do cérebro  algum estímulo. E esse estímulo pode estar vindo de uma lesão ou não.

O ponto não é o estímulo em si, mas como o cérebro o interpreta.

E o que acontece com os pacientes com dor crônica é que eles recebem estímulos e o cérebro interpreta como dor, mesmo que seja um estímulo não doloroso.

Não deixe que invalidem a dor que você está sentindo. Só você sabe o que está passando. Procura profissionais que acolham suas necessidades com o devido cuidado.

Mitos e verdades: dor lombar

  • Existem posições que podem causar dores na coluna.
Mito! Não há evidências na literatura de que uma posição é causadora de dor na coluna.

O que sabemos é que o paciente deve evitar ficar muito tempo na mesma posição e evitar ficar na posição que desencadeia a dor.

 

  • A maioria das pessoas vai ter dor lombar alguma vez na vida.
Verdade! É uma das dores mais comuns, atingindo mais de 90% da população durante a vida.

 

  • Ficar de repouso nem sempre ajuda.
Verdade! Depende do caso. Mas, na maior parte das vezes, ficar ativo e respeitando o limite da dor costuma ajudar.

 

  • O estresse pode piorar tudo.
Verdade! Estresse pode, sim, piorar a sensação de dor. É importante ter acompanhamento psicológico no tratamento de dor.

Dormir bem e buscar reduzir os fatores de estresse no seu cotidiano pode ajudar também.

 

  • Excesso de peso pode piorar a sensação de dor.
Verdade! Além disso, alimentação saudável, dormir bem e ter um estilo de vida saudável são atitudes que podem ajudar a melhorar a sensação de dor.

 

Diminuir a sensação de dor e viver melhor é possível.

 

Autocuidado durante a reabilitação

Reabilitação é um processo que, muitas vezes, pode ser longo. E para passar por ele com bem estar recomendamos práticas de autocuidado para o paciente. Veja algumas dicas:

 

1. Acesso a cuidados básicos

É impossível falar de autocuidado sem ter o básico. O paciente precisa ter estrutura, como:

  • uma casa adaptada para o paciente em reabilitação
  • alimentação adequada
  • profissionais necessários para o tratamento (terapeuta ocupacional, fisioterapia, fonoaudióloga…)
  • medicamentos necessários
  • acompanhamento médico constante
  • tranquilidade para enfrentar o processo

 

2. Prazer e lazer, o quanto for possível na rotina

  • um momento para tomar um chá com calma, saborear suas refeições, estar presente absorvendo as sensações prazerosas do cotidiano
  • acesso a TV no quarto, internet…
  • existem realidade virtuais que podem auxiliar em pacientes em reabilitação
  • estar em contato com a natureza sempre que possível
  • jogos terapêuticos de estímulo

 

3. Tente entender seus sentimentos no processo

Cultive momentos de introspecção:

  • meditação e atenção plena ajudam a focar no presente, controlando a ansiedade de ver os resultados (é sempre bom lembrar que reabilitação é um processo, um passo após o outro)
  • oração e conexão com a espiritualidade
  • terapia ajuda muito no enfrentamento

 

4. Comprometimento com o tratamento

  • coloque em prática o plano de tratamento que o fisiatra definiu
  • comprometimento com o tratamento é comprometimento com você, foque em cada passo, com a confiança que está investindo em si mesmo

 

5. Companhia de pessoas queridas

Familiares e amigos, se vocês soubessem o quanto uma visita para uma pessoa em reabilitação faz bem!

Mas é visita boa, com risada, bons momentos, chazinho (quando permitido na dieta do paciente) e acolhimento.

Não leve assuntos pesados, fale de coisas boas, engraçadas, e se coloque à disposição para OUVIR. Sentir que tem com quem contar faz muito bem para os pacientes que estão vivenciando este processo.

Atitudes que NÃO ajudam os portadores de dor crônica

  • Quando o portador de dor crônica se abrir sobre sua dor e a pessoa conta o caso da prima da amiga da vizinha que tem uma dor muito pior que a dela.
  • Falar que a dor é psicológica
  • Falar que a pessoa precisa “orar mais” ou que a sua dor é “falta de deus”.

 

E como você pode ajudar?

  • Quando estiver com a pessoa, fale de assuntos positivos ou divertidos com leveza.
  • Acolha a dor da pessoa, muitas vezes ouvir e se mostrar presente é suficiente.
  • Promova momentos divertidos com a pessoa.
  • Estimule a pessoa com palavras e atitudes.

 

Simples assim!

Acrescentaria mais alguma nesta lista? Deixe nos comentários!

Tratamentos não farmacológicos para fibromialgia

Nem só de remédios para dor vive o paciente fibromiálgico.

Na verdade, o tratamento para fibromialgia deve ser multidisciplinar, ou seja, deve envolver diferentes profissionais para tratar todas as frentes afetadas pela doença. Existem algumas propostas terapêuticas não farmacológicas que ajudam muito no tratamento.

Fibromialgia é uma condição dolorosa crônica que causa grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. Já é bem consolida-te na literatura que uma das intervenções de primeira linha é o tratamento não farmacológico.

E, principalmente, quando utilizado conjunto tem maior chance de controlar a intensidade da dor, melhorar a função, diminuir a incapacidade, melhorar sintomas depressivos, melhorar a qualidade de sono, diminuir a fadiga e controle maior da ansiedade.

Exemplos de intervenções não farmacológicas bem estabelecidas:

  • Treino de mobilidade articular, exercício na água, aeróbico, exercício de força, exercício articular, exerçamos.
  • Terapia manual, como fisioterapia.
  • Tratamentos com agulhas.
  • Técnicas terapêuticas da psicologia, como a Terapia Cognitivo Comportamental.

Tratamento para fibromialgia envolve um plano de tratamento completo, que visa diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida e autonomia. Este plano poder ser feito pelo fisiatra!

Sintomas de depressão em pacientes com fibromialgia

Você sabia que depressão e dores crônicas estão intimamente conectadas?

Alguns estudos mostram que pacientes portadores da síndrome fibromiálgica são mais suscetíveis aos pensamentos e sentimentos negativos.

E é claro que esses pensamentos impactam no cotidiano e na qualidade de vida da pessoa, que pode se afastar até mesmo das suas atividades diárias e convívio social.

E isso é um ciclo, pois os sintomas depressivos aumentam os sintomas da fibromialgia que, por sua vez, podem reforçar a depressão.

Segundo o livro “A ciência da dor: sobre fibromialgia e outras síndromes dolorosas”, os sintomas depressivos da fibromialgia podem se manifestar em alguns sintomas, como:

  • Estado de hipervigilância. Ou seja, a pessoa consegue viver sua vida e fazer atividades diárias, mas sente que as pessoas ao redor e os ambientes os quais frequentam dependem ele para funcionar adequadamente.
  • Se sente muito responsável por tudo e todos.
  • Apresenta pouco interesse em momentos de prazer e afeto, como o sexo.
  • Forte tendência à catastrofização.
  • Sensação frequente de angústia.
  • Sentimento de solidão.
  • Desesperança e limitação.
  • Distúrbios do sono.
  • Concentrar suas preocupações em torno de si, de suas dores e de seus problemas.
  • Enxergar-se como incapaz.
  • Não conseguir controlar pensamentos ruins sobre a doença.
  • Sentimento de desamparo e abandono.

Ou seja, os sintomas psicológicos são muito importantes e tratar a depressão faz parte do tratamento da fibromialgia.

Procure um fisiatra para bolar um plano de tratamento completo e um bom psiquiatra para fazer parte desta jornada com vocês.