ago 30, 2023 | Dor Crônica, Fisiatria |
Essa pergunta é mais comum do que se imagina em um consultório de especialista em dor crônica.
O paciente de dor geralmente já tentou de tudo, de remédio de farmácia a técnicas holísticas para diminuir a sensação de dor.
E, muitas vezes, este paciente traz a história de um amigo que experimentou o remédio X ou a terapia Y, teve ótimos resultados, mas para ele não fazem nem cosquinhas.
Por que isso acontece?
Primeiro, porque a dor é multifatorial. Ou seja, não é apenas um fator que determina a dor, mas um conjunto de coisas.
Então, naturalmente, cada quadro de dor conta com um “quebra-cabeça” único, com fatores únicos que influenciam na percepção da dor daquele paciente.
Além disso, a percepção de dor é uma interpretação do cérebro para determinado estímulo. Funciona assim:
O cérebro recebe um estímulo e interpreta como dor, ou coceira, ou prazer, ou cócegas… Essas sensações são frutos de uma interpretação do cérebro.
Em alguns quadros de dor, essa interpretação está disfuncional. É o caso, por exemplo, de doenças como a neuralgia do trigêmeo, em que o simples bater do vento no rosto do paciente pode ser interpretado como dor.
Por isso que um mesmo remédio pode não funcionar para duas pessoas com a mesma dor. Por que trabalhamos com interpretações do cérebro sobre estímulos e isso varia de caso para caso.
No tratamento, trabalhamos de forma personalizada, atendendo cada caso em sua individualidade, contemplando as diferentes áreas da vida que são acometidas pela dor (e que potencializam esta mesma dor).
Viver com mais qualidade de vida e menos dor é possível!
ago 14, 2023 | Dor Crônica, Estudos, Fibromialgia |
Se você convive com a dor crônica, é primordial olhar para o seu estilo de vida.
A dor é multifatorial, ou seja, pode ser provocada por diversos fatores diferentes e complementares. Portanto, nossa estratégia de enfrentamento também precisa ser multifatorial.
Por isso, para tratar a dor crônica, precisamos falar sobre um estilo de vida focado no seu bem estar.
É comprovado: quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer.
As técnicas de mindfulness (atenção plena no momento presente), por exemplo, trabalham a satisfação no aqui e agora.
Faça este exercício agora:
Feche seus olhos e preste atenção no barulho à sua volta.
Escute com atenção os sons que você não percebe normalmente. o cachorro latindo longe, o garfo tocando em um prato distante, a conversa abafada há alguns metros. Agora perceba como a única coisa permanente é o silêncio.
Os sons vêm e vão, passam, e o silêncio sempre retorna. Escute o silêncio. Agradeça pelo dom da escuta, pelo presente que é estar presente.
Este é um exemplo de exercício de mindfulness que trabalha a percepção do aqui e agora e é uma das estratégias comprovadas na redução da sensação de dor.
Se você gostou da experiência, vai gostar do livro “Atenção Plena”, de Mark Willians. É uma excelente indicação para trabalhar esta técnica no su cotidiano.
ago 11, 2023 | Dor Crônica, Empatia, Fisiatria |
Outro dia, uma paciente me contou que ouviu esta frase agressiva de uma conhecida.
Ela se sentiu mal com a pergunta passivo-agressiva (com razão), afinal, estar na praia é um momento de prazer, que faz bem e, mesmo ali, com os pés fincados na areia, minha paciente estava convivendo com a dor.
Como médica, minha recomendação é: está com dor e gosta de praia? Vá à praia, sim! Vá, olhe o céu azul, sinta o aroma da brisa do mar, o focinho da areia nos pés…
Tome uma água de côco geladinha, escute os pássaros, o som do oceano e dos jovens jogando altinha.
Viva seu momento de prazer plenamente!
Isso é mindfulness. É estar presente nas sensações e é estratégia comprovada para diminuir a sensação de dor.
Quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer. Portanto, viva um estilo de vida focado no que te faz bem e feliz!
E se alguém questionar que você está fazendo algo que você ama durante uma crise de dor, pode responder: foi minha médica quem recomendou!
ago 9, 2023 | Dor Crônica, Fisiatria |
Um grande mito que circula no universo da dor crônica é o de que quem está sentindo dor deve ficar de repouso.
Além deste mito não ter nenhum embasamento científico, na verdade, a falta de movimento pode piorar a sensação de dor.
Se exercitar é parte do tratamento de dor crônica. Mas, qual a melhor atividade para estes casos?
A resposta é: depende!
É fundamental contar com o apoio de um educador físico e fisioterapeuta especializados em dor crônica, que são responsáveis por ajudar a determinar o exercício para cada caso.
É importante que a atividade escolhida seja algo que você goste e que seja acompanhado pelo profissional especializado.
Se for algo na praia ou qualquer forma de manifestação da natureza, melhor ainda! O contato com a natureza, o céu azul e o mindfulness nestes ambientes ajuda a diminuir a percepção de dor.
ago 7, 2023 | Dor Crônica, Emoções do paciente |
Dor crônica é uma doença crônica como qualquer outra, como diabetes, hipertensão ou asma.
Ou seja, é uma doença que precisa ser tratada durante toda a vida.
Em alguns casos, a dor pode cessar completamente. Mas, o objetivo, ao tratar a dor crônica, não deve ser o de deter a dor completamente, porque há casos em que isso não acontece e o paciente pode se frustar.
E a frustração pode desencadear quadros depressivos que podem agravar ainda mais a sensação de dor.
Em um tratamento de dor crônica realista e respeitoso com o paciente, deve estar claro que o objetivo deve ser viver cada vez com menos dor e mais qualidade de vida.