Exame de imagem e dor crônica – o que ele mostra (e o que não mostra)

Exames de imagem são ferramentas importantes na medicina, mas quando falamos de dor, existem muitos mitos relacionados a eles, porque os exames, muitas vezes, não explicam a dor.

É comum pessoas com dor crônica não terem alterações nos exames de imagem que justifiquem a dor.

Isso acontece porque nem toda dor é relacionada a lesões: a dor muitas vezes, é provocada por alterações no sistema nervoso ou causas multifatoriais que não aparecem nos exames.

Por isso, dor crônica não pode ser interpretada apenas  a partir de exame de imagem.

A avaliação clínica, a história do paciente, exame físico e compreensão do mecanismo da dor continua sendo central na condução do tratamento.

Os exames de imagem auxiliam quando:

  • ajudam a esclarecer diagnósticos específicos
  • orientam decisões terapêuticas
  • ajudam a excluir determinadas condições

Mas, quando falamos de procedimentos para tratar a dor, a imagem passa a ter um papel diferente: o de orientar com precisão o procedimento.

O ultrassom, por exemplo, permite visualizar estruturas em tempo real e aumentar a segurança e a precisão de alguns procedimentos.

Resumo: na dor crônica, a imagem tem papel complementar dentro de uma avaliação clínica cuidadosa, e papel central quando o assunto é precisão em procedimentos.

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Dor causa fadiga? Entenda a teoria das colheres

Sentir dor exige um gasto constante do sistema nervoso, pois ela mantém o organismo em estado de alerta contínuo, o que consome energia física e mental.

Portanto, a dor pode causar fadiga, mesmo quando não há esforço físico.

Existe uma forma simples de explicar isso, conhecida como teoria das colheres.

 

Teoria das colheres 

Imagine que cada pessoa acorda com uma quantidade limitada de energia disponível ao longo do dia (simbolizada por um número de colheres). 

Para quem convive com dor crônica, parte dessa energia é usada apenas para lidar com a dor.

Atividades comuns como trabalhar, interagir e manutenção da rotina passam a exigir mais esforço.

Ou seja, a pessoa com dor “gasta mais colheres” somente com o estresse do corpo em processar a dor.

Isso explica por que a fadiga pode acompanhar a dor crônica. 

Na dor crônica, o gasto energético contínuo do sistema nervoso contribui para o surgimento da fadiga.

Dor não é só local, é sistêmico.

Por isso, o tratamento precisa englobar todas as áreas da vida do paciente.

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Mindfulness para dor crônica

Se você convive com a dor crônica, é primordial olhar para o seu estilo de vida.

A dor é multifatorial, ou seja, pode ser provocada por diversos fatores diferentes e complementares. Portanto, nossa estratégia de enfrentamento também precisa ser multifatorial.

Por isso, para tratar a dor crônica, precisamos falar sobre um estilo de vida focado no seu bem estar.

É comprovado: quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer.

As técnicas de mindfulness (atenção plena no momento presente), por exemplo, trabalham a satisfação no aqui e agora.

Faça este exercício agora:
Feche seus olhos e preste atenção no barulho à sua volta.
Escute com atenção os sons que você não percebe normalmente. o cachorro latindo longe, o garfo tocando em um prato distante, a conversa abafada há alguns metros. Agora perceba como a única coisa permanente é o silêncio.
Os sons vêm e vão, passam, e o silêncio sempre retorna. Escute o silêncio. Agradeça pelo dom da escuta, pelo presente que é estar presente.

 

Este é um exemplo de exercício de mindfulness que trabalha a percepção do aqui e agora e é uma das estratégias comprovadas na redução da sensação de dor.

Se você gostou da experiência, vai gostar do livro “Atenção Plena”, de Mark Willians. É uma excelente indicação para trabalhar esta técnica no su cotidiano.

Tratamentos não farmacológicos para fibromialgia

Já é bem consolidada na literatura que uma das intervenções de primeira linha é o tratamento não farmacológico para fibromialgia.

E, principalmente, quando utilizado em conjunto com medicamentos, tem maior chance de:

  • controlar a intensidade da dor
  • melhorar a função
  • diminuir a incapacidade
  • melhorar sintomas depressivos
  • melhorar a qualidade do sono
  • diminuir a fadiga
  • controlar a ansiedade

5 exemplos de intervenções não farmacológicas bem estabelecidas na literatura

  1. Treino de mobilidade articular: exercícios na água, aeróbico, exercício de força, exercício articular, exerçamos (jogos interativos);
  2. Terapia manual com fisioterapeuta;
  3. Tratamentos com agulhas, como aguçamento seco e com analgésico, que aplico em consultório e possui ótimo custo-benefício;
  4. Técnicas terapêuticas da psicologia, como Terapia Cognitivo Comportamental;
  5. Educação do paciente: o paciente estar bem informado sobre sua condição, com diagnóstico correto e o que esperar dos tratamentos.

Vale lembrar que o tratamento para fibromialgia envolve um Plano Completo, que visa diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida e autonomia. O profissional indicado para elaborar esse plano é o fisiatra.

 

Tratamento para dor crônica

Dor vai muito além do sintoma físico. Tem relação com suas emoções, rotina, preocupações, estilo de vida…

Portanto, ao elaborar um tratamento de dor crônica, procuro olhar para o paciente como um todo.

Você pode esperar um cuidado personalizado que pode incluir:

  • terapias
  • exercícios específicos
  • mudanças de estilo de vida
  • técnicas de autoconhecimento da dor
  • medicações, quando necessárias

Se você está interessado em experimentar minha abordagem para o tratamento da dor, entre em contato. Estamos prontos para ajudá-lo a se sentir melhor e melhorar sua qualidade de vida.

Atitudes que NÃO ajudam os portadores de dor crônica

  • Quando o portador de dor crônica se abrir sobre sua dor e a pessoa conta o caso da prima da amiga da vizinha que tem uma dor muito pior que a dela.
  • Falar que a dor é psicológica
  • Falar que a pessoa precisa “orar mais” ou que a sua dor é “falta de deus”.

 

E como você pode ajudar?

  • Quando estiver com a pessoa, fale de assuntos positivos ou divertidos com leveza.
  • Acolha a dor da pessoa, muitas vezes ouvir e se mostrar presente é suficiente.
  • Promova momentos divertidos com a pessoa.
  • Estimule a pessoa com palavras e atitudes.

 

Simples assim!

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