Remédio para dor para de fazer efeito?

Ao tomar um remédio (ou qualquer outra droga) pela primeira vez, determinado efeito é provocado no seu corpo.

Mas, depois de usar várias vezes a mesma droga, seu organismo pode desenvolver tolerância ao medicamento.

E isso significa que será necessária uma dose maior para produzir o mesmo efeito inicial. E nem sempre é possível atingi-lo.

Por isso, para tratar a dor crônica é fundamental o acompanhamento com médico, para manejo dos remédios e das ações terapêuticas que controlam a dor.

 

Vou precisar tomar remédio para dor pelo resto da minha vida?

A resposta é: depende!

Vou te explicar o porquê.

A dor crônica é uma doença crônica como qualquer outra, por exemplo, diabetes ou hipertensão.

Então é possível que uma pessoa com dor crônica precisa utilizar medicação pela vida toda ou por um longo período.

Mas também é possível que uma pessoa que adere ao tratamento e muda hábitos que, comprovadamente, influenciam a dor, consiga utilizar uma dosagem muito menor de medicação, ou até mesmo consiga ficar sem.

O medicamento é manjado nas consultas de acordo com a evolução do paciente.

Então, quando o paciente pergunta: Dra., até quando vou usar este remédio?

A resposta é: Até a próxima consulta.

Dra., eu tomo o remédio certinho. Por que minha dor não melhora?

Por que a dor é multidimensional. E o remédio atua em apenas uma parte.

Precisamos ter o complemento do tratamento, abordando outras áreas, como:

  • manejo do estresse
  • entendimento sobre sua dor
  • prática de exercícios físicos
  • melhora da qualidade do sono
  • melhora da alimentação
  • manutenção do peso

Dificilmente só o remédio vai resolver a dor. É necessários um olhar 360°, com diferentes estratégias para ter uma efetividade no tratamento.

E, ainda assim, não dá para garantir que a pessoa vai ficar 100% sem dor – para vocês terem noção de como a dor é multidimensional e complexa.

 

Seu exame não justifica a sua queixa de dor

Já recebi diversos pacientes em consultório que passaram por uma situação em que foram avaliados por médicos que fizeram diversos exames, não encontraram lesões e, portanto, invalidaram a dor do paciente.

Para estes pacientes, tento explicar o seguinte:

Dor não é igual a lesão.

Não necessariamente vamos achar uma lesão que justifique a dor.

Dor é uma resposta do cérebro  algum estímulo. E esse estímulo pode estar vindo de uma lesão ou não.

O ponto não é o estímulo em si, mas como o cérebro o interpreta.

E o que acontece com os pacientes com dor crônica é que eles recebem estímulos e o cérebro interpreta como dor, mesmo que seja um estímulo não doloroso.

Não deixe que invalidem a dor que você está sentindo. Só você sabe o que está passando. Procura profissionais que acolham suas necessidades com o devido cuidado.

Montando um quadro de dor

A dor nunca é isolada, é sempre resultado de uma série de fatores, como “pecinhas” de um quebra-cabeça, que vamos montando até entender o quadro geral.

É por isso que um desentendimento no trabalho ou uma briga com o marido podem contribuir para o aumento da dor. Não por ser a causa em si, mas pode ser uma das pecinhas importantes desse quebra-cabeça.

O “quebra-cabeça” da dor e incapacidade

Saber como é o dia a dia do paciente, se a sua casa tem ou não escada e sua relação com os colegas de trabalho são alguns exemplos de informações valiosas para o trabalho do fisiatra.

Isso por que o fisiatra avalia a pessoa como um todo, já que vários aspectos influenciam na sensação de dor, na funcionalidade e na qualidade de vida do paciente.

É nosso papel tentar entender as “pecinhas” do quebra-cabeça daquela pessoa que podem estar contribuindo para o aumento da dor e diminuindo a função.

Além disso, o fisiatra tem a visão de avaliar e melhorar a função da pessoa.

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