out 31, 2022 | AVC, Fisiatria, Reabilitação |
A família tem um papel fundamental na reabilitação neurológica. Ela pode interferir positivamente ou negativamente na saúde do paciente e, portanto, toda a família precisa de cuidados neste processos.
Seguem algumas dicas práticas:
- Leve a sério o plano de tratamento que o fisiatra prescreveu. Se o médico indicou atividades para o paciente fazer em casa com o seu auxílio, faça, coloque em prática. Isso ajuda muito no tratamento e na motivação do paciente.
- Incentive a autonomia do paciente. Não faça coisas que ele consegue fazer sozinho, mesmo que demore mais tempo. O objetivo é que ele tenha o máximo de autonomia possível.
- Evite brigas e discussões próximas ao paciente em reabilitação. Não leve problemas para ele. Pense que ele precisa focar em se recuperar e isso demanda muita energia. Fale de coisas boas, alegres, positivas sempre que possível.
- Siga as orientações dos profissionais envolvidos na reabilitação e, se tiver alguma dúvida, pergunte para eles.
- Cuide da sua saúde emocional. É natural o cuidador ter sentimentos de insegurança, tristeza e impaciência durante os cuidados. Somos todos humanos. Crie o hábito de se observar e procure ajuda quando necessário. A terapia ajuda muito nesse processos.
set 1, 2022 | AVC, Fisiatria, Reabilitação |
Se seu familiar passou por um AVC e está em reabilitação, a casa onde ele mora pode precisar de adaptações.
NRB é um conjunto de normas técnicas brasileiras para padronizar processos de produtos e serviços no Brasil. A NRB 9050, sobre acessibilidade, nos dá uma série de diretrizes sobre como deve ser a casa de pessoas com dificuldade de locomoção, sejam permanentes ou temporárias. Veja algumas dicas do documento:
Pense no deslocamento da pessoa dentro da casa
Retire tudo que possa fazê-la tropeçar ou cair, como tapetes, carpete, mesinhas…
Observe o piso. É importante avaliar e adequar para um piso seguro, de rugosidade média, que não seja de difícil locomoção.
Organize os móveis
Libere o máximo de espaço possível para a pessoa passar, principalmente se estiver de cadeira de rodas (a norma fala que deve-se ter, pelo menos, um metro de largura). Atenção: deve haver espaço suficiente para o giro da cadeira de rodas no ambiente.
Cuidado com escadas
Se a casa possuir mais de um andar, é preferível que a pessoa fique no piso térreo.
Em alguns casos, você pode instalar rampas de compensado de madeira com revestimento emborrachado.
É indicado corrimão e barras de apoio em corredores muito longos e nos degraus.
Observe a altura da cama
- Deve ser confortável para a pessoa se sentar e se levantar
- Objetos importantes próximos à cama: telefone, uma campainha, água…
- Coloque a cama em um espaço com janela, boa ventilação e que permita a pessoa ver o espaço externo
- Se possível, coloque uma televisão no local, um espaço para leitura ou outro lazer para a pessoa, deixando-o mais acolhedor possível
Sobre o banheiro
- Se possível, ficar em um quarto com banheiro para facilitar o uso durante a noite
- Nunca deixe o piso molhado
- É importante que, ao entrar no banheiro com uma cadeira de rodas, a pessoa consiga fechar a porta. Para isso, às vezes a porta pode precisar de modificações para que esse giro seja feito para fora do banheiro e a pessoa consiga fechar a porta, usando o banheiro com autonomia.
Observe a altura dos objetos pessoais
As coisas da pessoa devem estar organizadas em uma altura confortável, não muito alta e nem muito baixa, para não precisar abaixar ou elevar muito o corpo.
ago 11, 2022 | AVC, Espasticidade, Fisiatria |
Pode acontecer por dois fatores:
1.Um AVC pode provocar espasticidade, que é o endurecimento dos músculos, prejudicando o movimento. Com a espasticidade, a pessoa pode perder força. E, com isso, ela pode ter a sensação de que seu corpo “se esqueceu” como se movimenta (geralmente ocorre apenas em um lado do corpo).
2.Além disso, há uma síndrome chamada heminegligência. É uma condição incapacitante bem difícil de diagnosticar, inclusive para especialistas. Essa síndrome se apresenta como uma desorientação espacial não dominante (muitas vezes do lado esquerdo) após um evento patológico no hemisfério cerebral direito, como um AVC.
A heminegligência pode afetar o paciente de outras formas, como:
- dificuldade de perceber o corpo e se localizar espacialmente
- o paciente pode não perceber que “esqueceu” um lado do corpo
- alterações de comportamento
Síndromes de dor pós-AVC mais comuns:
- dor central pós-AVC
- síndrome dolorosa complexa regional
- dor musculoesquelética, incluindo subluxação do ombro
- dor de cabeça pós-AVC
Procure um fisiatra para um diagnóstico eficaz e um plano de tratamento global!
jul 27, 2022 | AVC, Fisiatria |
Depende.
Os riscos de um AVC são divididos em duas categorias: riscos modificáveis e riscos não modificáveis (como a genética).
Podemos reduzir os riscos de um novo AVC através dessas atitudes “modificáveis”.
Como?
- Controle: pressão arterial, colesterol e diabetes.
- Evite: fumar, álcool, drogas e alimentos ricos em sal, açúcares e gorduras.
jul 18, 2022 | AVC, Dor Crônica |
Já ouviu falar de dor crônica após AVC?
Alguns estudos apontam que 50% dos pacientes de AVC podem sofrer com síndromes dolorosas pós-AVC.
Porém, nem sempre essa dor tem a devida atenção: um estudo mostrou que 2/3 dos pacientes com dor central pós AVC tiveram tratamento inadequado da dor ou não foi prescrito nenhum tratamento.
E isso é muito sério!
A dor crônica após AVC é um preditor de suicídio. Ou seja, é urgente que os profissionais de saúde investiguem a fundo as dores dos pacientes que sofreram AVC.
Síndromes de dor pós-AVC mais comuns:
- Dor central pós-AVC
- Síndrome dolorosa complexa regional
- Dor musculoesquelética, incluindo subluxação do ombro
- Dor relacionada à espasticidade
- Dor de cabeça pós-AVC
Fatores de risco para dor pós-AVC:
- Risco aumenta com a idade do acidente vascular cerebral
- Aumento do tônus muscular
- Redução de movimentos das extremidades
- Déficits sensoriais (alteração na sensação de tato, dor, temperatura…)
- O AVC isquêmico é mais frequentemente associado à dor do acidente vascular cerebral hemorrágico
Desafios na identificação da dor pós-AVC:
O principal desafio é a dificuldade do paciente em relatar a dor.
Embora existam várias escalas de classificação para a dor, nenhuma é específica para a avaliação da dor pós-AVC.
Portanto, cabe co médico aplicar as técnicas que considerar mais adequadas para identificar a dor em cada paciente, nunca subestimando a potencial dor após AVC que pode estar acontecendo.
Há muito o que enfrentar, mas você não está sozinho!
📌 Referências:
“Post Stroke Pain: Identification, Assessment and Therapy”. HARRISON, R.; FIELD, T.; 2015.
Para mais informações sobre atendimento, entre em contato.
abr 18, 2022 | AVC, Emoções do paciente, Empatia, Reabilitação |
Maria acordava todo dia às 6h e preparava o seu café com carinho. Se aprontava, passava um batom e ia trabalhar.
No trabalho, ela se sentia valorizada: ali ela podia ser ela mesma.
Até que um domingo que se parecia com todos os outros, ela sentiu o braço formigar e dificuldade de falar.
O marido correu com ela para o hospital: estava sofrendo um AVC.
Maria teve sequelas físicas: ficou com dificuldade de andar e sem autonomia.
Parou de trabalhar para focar na reabilitação.
Maria pensava: “Quem é essa pessoa no espelho? Cadê minha vida? Cadê EU?”
Maria não se reconhece mais.
Além das sequelas físicas, o AVC pode deixar sequelas emocionais no paciente. A sensação de perder a identidade é uma delas!
Como lidar com isso?
- Comece aceitando todas as emoções que envolvem o AVC. Raiva, medo, tristeza e a sensação de perda de identidade são algumas delas. E você PODE sentir todas elas.
- Tente entender que a sua realidade mudou, e por mais que seja desafiador, a aceitação é a base para uma reabilitação de sucesso.
- Busque ter momentos de alegria e de contato com você mesmo. Veja filmes, escute músicas, busque coisas que você já gostava antes do AVC.
- Tente manter a mente aberta. O AVC é um evento que transforma. Não estranhe se você se perceber com gostos diferentes. Tenha curiosidade em se descobrir nessa nova etapa.
- Tente focar no momento presente e no processo da reabilitação. Um exercício de cada vez, um passo após o outro. Uma longa caminhada só é possível se for feita passo a passo.
- Seja gentil com você mesmo e honre sua história. Além disso, procure o apoio da família e amigos.