Cuidador, quem cuida de você?

Você pode e precisa descansar. Peça ajuda, aciona a rede de apoio quando possível.

Cuidar de um familiar em reabilitação é um trabalho 24h (e, muitas vezes, sem remuneração).

E pense comigo: se todos os outros trabalhos possuem momentos de descanso, não é justo que o cuidador familiar também tenha esse direito?

Rede de apoio, seu papel é este! Familiares, amigos… ofereçam ajuda, proporcionem descanso e momentos de lazer para o cuidador.

Cultive pequenos momentos de descanso e respiro ao longo do dia:
  • Tome seu chá ou café com calma, aprecie suas refeições, faça pequenas pausas ao longo do dia.
  • Cultive momentos seus, que contemplem sua individualidade, fazendo coisas que gosta de fazer, tanto quanto for possível.
Fale ou escreva sobre seus sentimentos:
  • Desabafe com amigos de confiança. Fale. Escreva em um caderno. Coloque para fora o que está sentindo, sem julgamentos.
  • Reabilitação não é fácil, são muitas emoções sobrepostas.
  • Se for possível, faça terapia. A ajuda de um bom psicólogo para enfrentar o processo é fantástica!
Foque no presente:
  • Um mantra que sempre repito aqui: reabilitação é processo.
  • Os resultados não são de um dia para o outro, é preciso ter ações constantes e consistentes, esperar o processo acontecer.
  • Portanto, tente trabalhar a ansiedade e lembrar de focar em um passo após o outro, com paciência e constância. E comemorar cada progresso.

Para conseguir cuidar do outro, você precisa estar bem. Ninguém consegue doar o que não tem.

Não abra mão de si mesmo, da sua saúde física e mental, para que você não adoeça. Você tem o direito de atender às suas necessidades.

Cuide-se para poder ajudar melhor o próximo!

Tratamentos não farmacológicos para fibromialgia

Nem só de remédios para dor vive o paciente fibromiálgico.

Na verdade, o tratamento para fibromialgia deve ser multidisciplinar, ou seja, deve envolver diferentes profissionais para tratar todas as frentes afetadas pela doença. Existem algumas propostas terapêuticas não farmacológicas que ajudam muito no tratamento.

Fibromialgia é uma condição dolorosa crônica que causa grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. Já é bem consolida-te na literatura que uma das intervenções de primeira linha é o tratamento não farmacológico.

E, principalmente, quando utilizado conjunto tem maior chance de controlar a intensidade da dor, melhorar a função, diminuir a incapacidade, melhorar sintomas depressivos, melhorar a qualidade de sono, diminuir a fadiga e controle maior da ansiedade.

Exemplos de intervenções não farmacológicas bem estabelecidas:

  • Treino de mobilidade articular, exercício na água, aeróbico, exercício de força, exercício articular, exerçamos.
  • Terapia manual, como fisioterapia.
  • Tratamentos com agulhas.
  • Técnicas terapêuticas da psicologia, como a Terapia Cognitivo Comportamental.

Tratamento para fibromialgia envolve um plano de tratamento completo, que visa diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida e autonomia. Este plano poder ser feito pelo fisiatra!

Mudanças no quarto de uma pessoa que teve AVC

Se seu familiar passou por um AVC e está em reabilitação, a casa onde ele mora pode precisar de adaptações.

NRB é um conjunto de normas técnicas brasileiras para padronizar processos de produtos e serviços no Brasil. A NRB 9050, sobre acessibilidade, nos dá uma série de diretrizes sobre como deve ser a casa de pessoas com dificuldade de locomoção, sejam permanentes ou temporárias. Veja algumas dicas do documento:

 

Pense no deslocamento da pessoa dentro da casa

Retire tudo que possa fazê-la tropeçar ou cair, como tapetes, carpete, mesinhas…

Observe o piso. É importante avaliar e adequar para um piso seguro, de rugosidade média, que não seja de difícil locomoção.

 

Organize os móveis

Libere o máximo de espaço possível para a pessoa passar, principalmente se estiver de cadeira de rodas (a norma fala que deve-se ter, pelo menos, um metro de largura). Atenção: deve haver espaço suficiente para o giro da cadeira de rodas no ambiente.

 

Cuidado com escadas

Se a casa possuir mais de um andar, é preferível que a pessoa fique no piso térreo.

Em alguns casos, você pode instalar rampas de compensado de madeira com revestimento emborrachado.

É indicado corrimão e barras de apoio em corredores muito longos e nos degraus.

 

Observe a altura da cama

  • Deve ser confortável para a pessoa se sentar e se levantar
  • Objetos importantes próximos à cama: telefone, uma campainha, água…
  • Coloque  a cama em um espaço com janela, boa ventilação e que permita a pessoa ver o espaço externo
  • Se possível, coloque uma televisão no local, um espaço para leitura ou outro lazer para a pessoa, deixando-o mais acolhedor possível

 

Sobre o banheiro

  • Se possível, ficar em um quarto com banheiro para facilitar o uso durante a noite
  • Nunca deixe o piso molhado
  • É importante que, ao entrar no banheiro com uma cadeira de rodas, a pessoa consiga fechar a porta. Para isso, às vezes a porta pode precisar de modificações para que esse giro seja feito para fora do banheiro e a pessoa consiga fechar a porta, usando o banheiro com autonomia.

 

Observe a altura dos objetos pessoais

As coisas da pessoa devem estar organizadas em uma altura confortável, não muito alta e nem muito baixa, para não precisar abaixar ou elevar muito o corpo.

“Não me reconheço mais após o AVC”

Maria acordava todo dia às 6h e preparava o seu café com carinho. Se aprontava, passava um batom e ia trabalhar.

No trabalho, ela se sentia valorizada: ali ela podia ser ela mesma.

Até que um domingo que se parecia com todos os outros, ela sentiu o braço formigar e dificuldade de falar.

O marido correu com ela para o hospital: estava sofrendo um AVC.

Maria teve sequelas físicas: ficou com dificuldade de andar e sem autonomia.

Parou de trabalhar para focar na reabilitação.

Maria pensava: “Quem é essa pessoa no espelho? Cadê minha vida? Cadê EU?”

Maria não se reconhece mais.

Além das sequelas físicas, o AVC pode deixar sequelas emocionais no paciente. A sensação de perder a identidade é uma delas!

Como lidar com isso?

  • Comece aceitando todas as emoções que envolvem o AVC. Raiva, medo, tristeza e a sensação de perda de identidade são algumas delas. E você PODE sentir todas elas.
  • Tente entender que a sua realidade mudou, e por mais que seja desafiador, a aceitação é a base para uma reabilitação de sucesso.
  • Busque ter momentos de alegria e de contato com você mesmo. Veja filmes, escute músicas, busque coisas que você já gostava antes do AVC.
  • Tente manter a mente aberta. O AVC é um evento que transforma. Não estranhe se você se perceber com gostos diferentes. Tenha curiosidade em se descobrir nessa nova etapa.
  • Tente focar no momento presente e no processo da reabilitação. Um exercício de cada vez, um passo após o outro. Uma longa caminhada só é possível se for feita passo a passo.
  • Seja gentil com você mesmo e honre sua história. Além disso, procure o apoio da família e amigos.

5 palavras que quem teve um AVC precisa ter em mente

5 palavras para quem teve um AVC copiar e colar na geladeira, para não esquecer!

 

1.Processo

Reabilitação é processo. Foque nos pequenos passos, um após o outro.

Crie o hábito de se parabenizar por cada pequena conquista alcançada, por cada dia vencido. Você merece!

 

2.Aceitação

Em muitos casos, o AVC muda a vida inteira do paciente e nem sempre é fácil aceitar essas mudanças.

Mas, mudanças e desafios não significam que não seja possível enxergar beleza e coisas boas na vida.

Trabalhar a aceitação é fundamental para o tratamento e bem estar emocional.

 

3.Terapia

Acompanhamento psicológico é muito importante para ajudar a digerir e entender as mudanças que o AVC traz.

Cuidar das emoções também faz parte do tratamento!

 

4. Confiança

Confiar no médico é fundamental.

Busque um médico que trate o paciente como um todo, que envolva a família e tenha sensibilidade necessária para criar um plano de reabilitação que se encaixe na sua realidade.

 

5.Comprometimento

Ter compromisso com o tratamento é ter compromisso com você mesmo. Se priorize. Se ame!

5 atitudes que podem ajudar a melhorar os movimentos após AVC

Um AVC pode trazer sequelas que prejudicam os movimentos, mas é possível melhorar a mobilidade e, em alguns casos, recuperar os movimentos. Algumas atitudes ajudam a potencializar essa melhora:

 

1.Estimular corretamente

É importante estimular os movimentos de forma correta, seguindo as orientações do fisioterapeuta.

 

2.O plano de reabilitação deve ser completo

A reabilitação deve trabalhar todas as áreas da vida do paciente!

É importante acolher e instruir toda a família, olhar para a pessoa como um todo e bolar um plano de tratamento que se encaixe na realidade do paciente e que ele consiga cumprir.

 

3.Tratar a espasticidade

Se os músculos ficaram duros após o AVC, pode ser que você esteja com espasticidade, e isso compromete os movimentos.

Tratar a espasticidade com toxina botulínica, por exemplo, ajuda muito na recuperação dos movimentos.

 

4.Comprometimento com o tratamento

Ter disciplina é fundamental. Se comprometer com o tratamento é se comprometer com você!

 

5.Cuidar do emocional

Entender e aceitar que a vida mudou pode ser um processo difícil.

Focar no processo, comemorar cada pequena conquista e, se possível, fazer terapia, são atitudes que ajudam muito no sucesso do tratamento!

Dor tem tratamento!