set 1, 2022 | AVC, Fisiatria, Reabilitação |
Se seu familiar passou por um AVC e está em reabilitação, a casa onde ele mora pode precisar de adaptações.
NRB é um conjunto de normas técnicas brasileiras para padronizar processos de produtos e serviços no Brasil. A NRB 9050, sobre acessibilidade, nos dá uma série de diretrizes sobre como deve ser a casa de pessoas com dificuldade de locomoção, sejam permanentes ou temporárias. Veja algumas dicas do documento:
Pense no deslocamento da pessoa dentro da casa
Retire tudo que possa fazê-la tropeçar ou cair, como tapetes, carpete, mesinhas…
Observe o piso. É importante avaliar e adequar para um piso seguro, de rugosidade média, que não seja de difícil locomoção.
Organize os móveis
Libere o máximo de espaço possível para a pessoa passar, principalmente se estiver de cadeira de rodas (a norma fala que deve-se ter, pelo menos, um metro de largura). Atenção: deve haver espaço suficiente para o giro da cadeira de rodas no ambiente.
Cuidado com escadas
Se a casa possuir mais de um andar, é preferível que a pessoa fique no piso térreo.
Em alguns casos, você pode instalar rampas de compensado de madeira com revestimento emborrachado.
É indicado corrimão e barras de apoio em corredores muito longos e nos degraus.
Observe a altura da cama
- Deve ser confortável para a pessoa se sentar e se levantar
- Objetos importantes próximos à cama: telefone, uma campainha, água…
- Coloque a cama em um espaço com janela, boa ventilação e que permita a pessoa ver o espaço externo
- Se possível, coloque uma televisão no local, um espaço para leitura ou outro lazer para a pessoa, deixando-o mais acolhedor possível
Sobre o banheiro
- Se possível, ficar em um quarto com banheiro para facilitar o uso durante a noite
- Nunca deixe o piso molhado
- É importante que, ao entrar no banheiro com uma cadeira de rodas, a pessoa consiga fechar a porta. Para isso, às vezes a porta pode precisar de modificações para que esse giro seja feito para fora do banheiro e a pessoa consiga fechar a porta, usando o banheiro com autonomia.
Observe a altura dos objetos pessoais
As coisas da pessoa devem estar organizadas em uma altura confortável, não muito alta e nem muito baixa, para não precisar abaixar ou elevar muito o corpo.
ago 29, 2022 | Dor Crônica, Emoções do paciente, Empatia, Fisiatria |
Ao contar sua história, o paciente faz um apanhado do que considera importante: onde dói, como dói, os gatilhos que fazem doer…
E muitas vezes não dói só no corpo: existem demandas emocionais que exigem muito do paciente, que pode se ver sobrecarregado emocionalmente.
Para o médico da dor isto é muito valioso, pois dor é sempre multifatorial e a sua história ajuda a compreender onde podemos trabalhar para diminuir os gatilhos de dor. Ser boa médica, para mim, envolve ser uma boa ouvinte.
Em atendimento percebi que não basta explorar só a queixa de dor do paciente em si. Preciso entender todo o contexto, identificar os fatores que podem estar contribuindo para este quadro de dor, para que eu consiga montar o plano de tratamento completo que o paciente merece.
Percebi que a escuta também ajuda no tratamento em si: paciente que se sente escutado, se sente valorizado. E paciente valorizado tende a aderir melhor ao tratamento, pois ele entende que tem direito de priorizar seu tratamento, de atender às suas necessidades e fazer o melhor para si mesmo.
Poi isso, eu gosto quando meus pacientes encontram esse acolhimento no consultório. Que eles se sintam à vontade para compartilhar um pouquinho da carga emocional relacionada à dor.
Abrir o coração e honrar a história do paciente faz parte do atendimento.
ago 23, 2022 | Dor Crônica, Fisiatria |
A neuralgia do trigêmeo é uma das síndromes dolorosas mais intensas: o paciente costuma relatar dores extremamente fortes (nível 10 em uma escala de 1 a 10).
A pessoa sente dor forte na face até em estímulos não-dolorosos, como:
- escovar os dentes
- mastigar
- bocejar
- sorrir
- tocar o rosto
Por que ela acontece?
O nervo trigêmeo é o principal nervo da face e sua função principal é veicular a sensibilidade do rosto até o cérebro.
A neuralgia do trigêmeo ocorre quando acontece uma lesão no nervo trigêmeo.
Quais os sintomas?
O principal sintoma é dor intensa no rosto, aguda, forte e súbita. Geralmente, em um só lado do rosto.
Pode ser sentida como pontada, queimação ou a sensação de levar um choque no rosto.
Podem ocorrer vários episódios ao longo do dia e a crise pode durar dias, semanas ou até meses.
Qual o tratamento?
O fisiatra vai montar um Plano de Tratamento, cuidando do paciente de forma global. E, em muitos casos, este tratamento pode incluir aplicação de toxina botulínica.
As aplicações de toxina, em dose e localização certas, alteram os mecanismos de transmissão da dor na neuralgia do trigêmeo, reduzindo a dor.
Em casos mais graves, a cirurgia poder ser indicada.
ago 19, 2022 | Emoções do paciente, Fisiatria |
Estudos mostram que Mindfulness (meditação da atenção plena) reduz os relatos de dor em pacientes com dor crônica.
Segundo o estudo, a meditação da atenção plena pode ajudar a melhorar os sintomas da dor crônica e diminuir a sensação de dor. O estudo analisou pessoas com:
- fibromialgia
- enxaqueca
- síndrome do intestino irritável
- dor lombar crônica
- dor generalizada
Como praticar?
Mindfulness significa atenção plena.
É uma técnica de meditação que consiste em estar totalmente atento ao momento presente, estando consciente dos sentimentos, emoções, desconfortos, ambiente, etc… tudo isso aqui e agora.
E não basta só estar atento.
É preciso não julgar nada, nenhum sentimento ou acontecimento, apenas aceitar e deixar ir. Não lutar contra.
Checklist:
- Quando for comer, preste atenção no alimento, na explosão de sabor, na textura, no cheiro. Perceba o alimento na sua boca, o movimento de cortar com o garfo… esteja presente no processo.
- Ao tomar banho, preste atenção na água caindo no seu corpo, na temperatura, em como seu corpo reage.
- Agora mesmo onde você está, preste atenção no seu corpo e no ambiente. Como está a sua postura? Seu corpo está emitindo sons? Quais sons? Você está percebendo a cadeira tocando seu corpo enquanto se senta? Quais sons você consegue observar no ambiente?
Tudo isso é mindfulness! Vamos praticar juntos?
ago 15, 2022 | Espasticidade, Fisiatria, Toxina botulínica |
1.Como a toxina age no músculo?
A toxina diminui a tensão do músculo que está espástico (endurecido), de forma que melhore a funcionalidade.
2.A aplicação de toxina botulínica dói?
Algumas pessoas podem sentir dor no local após a aplicação, mas não é um tratamento doloroso. A dor também depende da agulha utilizada (dou preferência para as agulhas mais finas e sutis).
3.A toxina botulínica devolve os movimentos?
A toxina ajuda a tratar a espasticidade e se a dificuldade de movimento for causada pela espasticidade, então ela pode ajudar, afinal, um músculo espástico tem o seu movimento prejudicado. Tratando a espasticidade, melhoramos a funcionalidade, e com isso, melhoramos o movimento como um todo.
Deixe suas dúvidas nos comentários!
ago 11, 2022 | AVC, Espasticidade, Fisiatria |
Pode acontecer por dois fatores:
1.Um AVC pode provocar espasticidade, que é o endurecimento dos músculos, prejudicando o movimento. Com a espasticidade, a pessoa pode perder força. E, com isso, ela pode ter a sensação de que seu corpo “se esqueceu” como se movimenta (geralmente ocorre apenas em um lado do corpo).
2.Além disso, há uma síndrome chamada heminegligência. É uma condição incapacitante bem difícil de diagnosticar, inclusive para especialistas. Essa síndrome se apresenta como uma desorientação espacial não dominante (muitas vezes do lado esquerdo) após um evento patológico no hemisfério cerebral direito, como um AVC.
A heminegligência pode afetar o paciente de outras formas, como:
- dificuldade de perceber o corpo e se localizar espacialmente
- o paciente pode não perceber que “esqueceu” um lado do corpo
- alterações de comportamento
Síndromes de dor pós-AVC mais comuns:
- dor central pós-AVC
- síndrome dolorosa complexa regional
- dor musculoesquelética, incluindo subluxação do ombro
- dor de cabeça pós-AVC
Procure um fisiatra para um diagnóstico eficaz e um plano de tratamento global!
jul 27, 2022 | AVC, Fisiatria |
Depende.
Os riscos de um AVC são divididos em duas categorias: riscos modificáveis e riscos não modificáveis (como a genética).
Podemos reduzir os riscos de um novo AVC através dessas atitudes “modificáveis”.
Como?
- Controle: pressão arterial, colesterol e diabetes.
- Evite: fumar, álcool, drogas e alimentos ricos em sal, açúcares e gorduras.
jul 25, 2022 | Dor Crônica, Emoções do paciente, Estudos, Fisiatria |
O estudo “Terapia do Humor: Aliviando a Dor Crônica e Aumentando a Felicidade para os Idosos”, mostrou que o humor pode ajudar a diminuir a sensação de dor.
Como foi o estudo?
Pesquisadores fizeram um estudo experimental com dois grupos de idosos que sofriam com dor crônica há mais de 3 meses, em uma casa de repouso.
Grupo 1 – Participou do programa “Terapia do Humor”.
Grupo 2 – Não participou (grupo de controle).
Como era o programa?
1 hora por semana, durante 8 semanas.
Os participantes faziam trabalhos com estímulos, como: livros e fotos engraçadas, piadas do dia, áudios e vídeos engraçados, desenhos animados, notícias engraçadas, reflexões…
Além disso, eram estimulados a priorizar o humor em suas vidas cotidianas, rindo e compartilhando as histórias engraçadas que vivenciara.
Depois do programa de terapia do riso:
Grupo 1 – Diminuição da dor e da percepção da solidão. Aumento significativo na felicidade e satisfação com a vida.
Grupo 2 – Não houve alterações significativas.
O que isso significa?
Rir, se divertir, assistir comédias, buscar o humor, pode ajudar como forma complementar no tratamento.
O estudo afirma que a “Terapia do Humor é uma intervenção não farmacológica eficaz!”.
Médicos e outros profissionais de saúde podem incorporar o humor, o riso e a alegria no cuidado com seus pacientes.
jul 22, 2022 | Fibromialgia, Fisiatria |
Uma crise de fibromialgia é um período de agravamento dos sintomas. A pessoa pode sentir:
- Dor intensa
- Fadiga intensa (cansaço)
- Dificuldades de concentração
- Problemas de memória
- Distúrbios intestinais
- Insônia
Esses períodos podem durar dias ou meses, e a pessoa pode sentir muita dificuldade em realizar tarefas do dia a dia.
Cada atividade demanda muita mais energia para uma pessoa em crise de fibromialgia do que para uma pessoa comum.
Quando a crise chegar, tente focar em lidar com ela da forma mais leve possível. Ou seja, acolha-se, respeite seu ritmo, não caia na cilada de se culpar!
Tratar-se com carinho e respeitar os limites do seu corpo são dicas fundamentais.
Movimente-se!
Muita gente acha que em uma crise de dor o ideal é ficar totalmente parado, mas isso traz o efeito contrário.
Atividades físicas leves ajudam a aliviar os sintomas a longo prazo. O ideal é conversar com seu médico para, juntos, decidirem a melhor opção para você.
Contar com a compreensão da rede de apoio, familiares e colegas de trabalho.
É essencial que as pessoas que convivem com o paciente de fibromialgia tenham consciência que esses períodos vão acontecer e que precisam ser acolhidos.
jul 18, 2022 | AVC, Dor Crônica |
Já ouviu falar de dor crônica após AVC?
Alguns estudos apontam que 50% dos pacientes de AVC podem sofrer com síndromes dolorosas pós-AVC.
Porém, nem sempre essa dor tem a devida atenção: um estudo mostrou que 2/3 dos pacientes com dor central pós AVC tiveram tratamento inadequado da dor ou não foi prescrito nenhum tratamento.
E isso é muito sério!
A dor crônica após AVC é um preditor de suicídio. Ou seja, é urgente que os profissionais de saúde investiguem a fundo as dores dos pacientes que sofreram AVC.
Síndromes de dor pós-AVC mais comuns:
- Dor central pós-AVC
- Síndrome dolorosa complexa regional
- Dor musculoesquelética, incluindo subluxação do ombro
- Dor relacionada à espasticidade
- Dor de cabeça pós-AVC
Fatores de risco para dor pós-AVC:
- Risco aumenta com a idade do acidente vascular cerebral
- Aumento do tônus muscular
- Redução de movimentos das extremidades
- Déficits sensoriais (alteração na sensação de tato, dor, temperatura…)
- O AVC isquêmico é mais frequentemente associado à dor do acidente vascular cerebral hemorrágico
Desafios na identificação da dor pós-AVC:
O principal desafio é a dificuldade do paciente em relatar a dor.
Embora existam várias escalas de classificação para a dor, nenhuma é específica para a avaliação da dor pós-AVC.
Portanto, cabe co médico aplicar as técnicas que considerar mais adequadas para identificar a dor em cada paciente, nunca subestimando a potencial dor após AVC que pode estar acontecendo.
Há muito o que enfrentar, mas você não está sozinho!
📌 Referências:
“Post Stroke Pain: Identification, Assessment and Therapy”. HARRISON, R.; FIELD, T.; 2015.
Para mais informações sobre atendimento, entre em contato.