out 25, 2022 | Empatia, Reabilitação |
Você pode e precisa descansar. Peça ajuda, aciona a rede de apoio quando possível.
Cuidar de um familiar em reabilitação é um trabalho 24h (e, muitas vezes, sem remuneração).
E pense comigo: se todos os outros trabalhos possuem momentos de descanso, não é justo que o cuidador familiar também tenha esse direito?
Rede de apoio, seu papel é este! Familiares, amigos… ofereçam ajuda, proporcionem descanso e momentos de lazer para o cuidador.
Cultive pequenos momentos de descanso e respiro ao longo do dia:
- Tome seu chá ou café com calma, aprecie suas refeições, faça pequenas pausas ao longo do dia.
- Cultive momentos seus, que contemplem sua individualidade, fazendo coisas que gosta de fazer, tanto quanto for possível.
Fale ou escreva sobre seus sentimentos:
- Desabafe com amigos de confiança. Fale. Escreva em um caderno. Coloque para fora o que está sentindo, sem julgamentos.
- Reabilitação não é fácil, são muitas emoções sobrepostas.
- Se for possível, faça terapia. A ajuda de um bom psicólogo para enfrentar o processo é fantástica!
Foque no presente:
- Um mantra que sempre repito aqui: reabilitação é processo.
- Os resultados não são de um dia para o outro, é preciso ter ações constantes e consistentes, esperar o processo acontecer.
- Portanto, tente trabalhar a ansiedade e lembrar de focar em um passo após o outro, com paciência e constância. E comemorar cada progresso.
Para conseguir cuidar do outro, você precisa estar bem. Ninguém consegue doar o que não tem.
Não abra mão de si mesmo, da sua saúde física e mental, para que você não adoeça. Você tem o direito de atender às suas necessidades.
Cuide-se para poder ajudar melhor o próximo!
ago 29, 2022 | Dor Crônica, Emoções do paciente, Empatia, Fisiatria |
Ao contar sua história, o paciente faz um apanhado do que considera importante: onde dói, como dói, os gatilhos que fazem doer…
E muitas vezes não dói só no corpo: existem demandas emocionais que exigem muito do paciente, que pode se ver sobrecarregado emocionalmente.
Para o médico da dor isto é muito valioso, pois dor é sempre multifatorial e a sua história ajuda a compreender onde podemos trabalhar para diminuir os gatilhos de dor. Ser boa médica, para mim, envolve ser uma boa ouvinte.
Em atendimento percebi que não basta explorar só a queixa de dor do paciente em si. Preciso entender todo o contexto, identificar os fatores que podem estar contribuindo para este quadro de dor, para que eu consiga montar o plano de tratamento completo que o paciente merece.
Percebi que a escuta também ajuda no tratamento em si: paciente que se sente escutado, se sente valorizado. E paciente valorizado tende a aderir melhor ao tratamento, pois ele entende que tem direito de priorizar seu tratamento, de atender às suas necessidades e fazer o melhor para si mesmo.
Poi isso, eu gosto quando meus pacientes encontram esse acolhimento no consultório. Que eles se sintam à vontade para compartilhar um pouquinho da carga emocional relacionada à dor.
Abrir o coração e honrar a história do paciente faz parte do atendimento.
abr 18, 2022 | AVC, Emoções do paciente, Empatia, Reabilitação |
Maria acordava todo dia às 6h e preparava o seu café com carinho. Se aprontava, passava um batom e ia trabalhar.
No trabalho, ela se sentia valorizada: ali ela podia ser ela mesma.
Até que um domingo que se parecia com todos os outros, ela sentiu o braço formigar e dificuldade de falar.
O marido correu com ela para o hospital: estava sofrendo um AVC.
Maria teve sequelas físicas: ficou com dificuldade de andar e sem autonomia.
Parou de trabalhar para focar na reabilitação.
Maria pensava: “Quem é essa pessoa no espelho? Cadê minha vida? Cadê EU?”
Maria não se reconhece mais.
Além das sequelas físicas, o AVC pode deixar sequelas emocionais no paciente. A sensação de perder a identidade é uma delas!
Como lidar com isso?
- Comece aceitando todas as emoções que envolvem o AVC. Raiva, medo, tristeza e a sensação de perda de identidade são algumas delas. E você PODE sentir todas elas.
- Tente entender que a sua realidade mudou, e por mais que seja desafiador, a aceitação é a base para uma reabilitação de sucesso.
- Busque ter momentos de alegria e de contato com você mesmo. Veja filmes, escute músicas, busque coisas que você já gostava antes do AVC.
- Tente manter a mente aberta. O AVC é um evento que transforma. Não estranhe se você se perceber com gostos diferentes. Tenha curiosidade em se descobrir nessa nova etapa.
- Tente focar no momento presente e no processo da reabilitação. Um exercício de cada vez, um passo após o outro. Uma longa caminhada só é possível se for feita passo a passo.
- Seja gentil com você mesmo e honre sua história. Além disso, procure o apoio da família e amigos.
mar 22, 2022 | AVC, Empatia, Espasticidade, Fisiatria, Reabilitação |
Um AVC pode trazer sequelas que prejudicam os movimentos, mas é possível melhorar a mobilidade e, em alguns casos, recuperar os movimentos. Algumas atitudes ajudam a potencializar essa melhora:
1.Estimular corretamente
É importante estimular os movimentos de forma correta, seguindo as orientações do fisioterapeuta.
2.O plano de reabilitação deve ser completo
A reabilitação deve trabalhar todas as áreas da vida do paciente!
É importante acolher e instruir toda a família, olhar para a pessoa como um todo e bolar um plano de tratamento que se encaixe na realidade do paciente e que ele consiga cumprir.
3.Tratar a espasticidade
Se os músculos ficaram duros após o AVC, pode ser que você esteja com espasticidade, e isso compromete os movimentos.
Tratar a espasticidade com toxina botulínica, por exemplo, ajuda muito na recuperação dos movimentos.
4.Comprometimento com o tratamento
Ter disciplina é fundamental. Se comprometer com o tratamento é se comprometer com você!
5.Cuidar do emocional
Entender e aceitar que a vida mudou pode ser um processo difícil.
Focar no processo, comemorar cada pequena conquista e, se possível, fazer terapia, são atitudes que ajudam muito no sucesso do tratamento!
Dor tem tratamento!
fev 14, 2022 | AVC, Dor Crônica, Emoções do paciente, Empatia, Espasticidade, Fibromialgia, Fisiatria, Reabilitação |
- Dor tem tratamento, mas ele só funciona se for adequado para o seu caso. Por isso é tão importante o acompanhamento médico.
- A melhora não é do dia para a noite. O tratamento deve ser diário e ininterrupto.
- Não se prenda aos sintomas e foque no que você pode fazer. O comprometimento com o tratamento é o seu maior aliado.
- Não se cobre tanto e tente manter uma visão positiva sobre si mesmo e a vida. Lembrando que o tratamento para dor é processo, fica mais fácil passar por ele com leveza.
Tratamento de dor crônica é trabalho de formiguinha: devagar, uma coisa de cada vez e um dia após o outro. Com paciência e otimismo conseguimos melhores resultados.
out 14, 2021 | Dor Crônica, Emoções do paciente, Empatia, Fibromialgia, Fisiatria |
Você conhece as 5 formas de ajudar alguém com fibromialgia?
Se você conhece, provavelmente já se perguntou: “como será que eu posso ajudar?”
Existem maneiras muito eficientes de você não só ajudar a amenizar a dor, como participar ativamente desse processo, levando uma melhor qualidade de vida a essas pessoas.
Vamos descobrir como?
1 – busque informações sobre o que é fibromialgia – como ela é desencadeada, como se desenvolve, quais são seus fatores agravantes e, principalmente, quais são os seus gatilhos.
Porque como já sabemos, os fibromiálgicos sofrem muitos preconceitos, são discriminados pelas recorrentes dores que pessoas comuns como nós, não conseguem entender.
A partir disso, podemos nos inserir no processo de tratamento junto com o paciente. Você quer descobrir como?
2 – Fazer exercícios físicos – que tal chamar seu amigo ou familiar para se exercitar com você?
Um passeio, uma caminhada, uma ida a academia já são suficientes para você mantê-lo incentivado, ao mesmo tempo que ele vai se sentir aliviado pelas dores causadas pela fibromialgia.
E não é isso. Porque os benefícios do exercício físico, os gatilhos da dor crônica podem ser evitados com simples gestos de empatia e solidariedade que você pode oferecer.
3 – Estimular uma alimentação saudável – você sabia que um dos gatilhos da fibromialgia é a alimentação? A alimentação está diretamente ligada às inflamações musculares e nervosas.
Por isso é importante que o paciente com fibromialgia tenha uma alimentação rica em magnésio, potássio e ômega 3 que aliviam os sintomas da dor.
Chame seu amigo ou familiar para iniciar uma dieta alimentar com você, por exemplo.
Além de incentivá-lo, você estará ajudando a eliminar um dos gatilhos da dor.
Ou quando você estiver com ele evite comer alimentos com glúten, lactose e tantos outros que são inflamatórios.
Esse tipo de atitude pode ser um enorme diferencial para ele e vai contribuir muito para o seu tratamento.
Mas, além disso, você ainda pode ajudar de forma simples: o que você acha de se inserir no cotidiano da pessoa?
4 – Que tal ajudar seu amigo ou familiar nas tarefas domésticas?
Uma forma muito eficiente de ajudar pessoas que sofrem de fibromialgia é sem dúvida sua disponibilidade de tempo oferecendo ajuda simples e direta.
Pode parecer que não é muita coisa, mas se você ajudar nas tarefas do dia a dia, como por exemplo, limpar a casa, lavar a louça, passar a roupa, você estará poupando muito a energia dessa pessoa que um simples trabalho doméstico pode significar um esforço imenso, gerando um cansaço enorme que pode desencadear a dor.
Esses pequenos gestos vão contribuir muito para o tratamento do fibromiálgico e, também, para você que começa a aprender a lidar com essa realidade e passa a entender a doença dentro da normalidade.
E de que normalidade é essa que estamos falando?
5 – Não sinta pena do portador de dor crônica – a fibromialgia tem que ser encarada apenas como uma realidade que pode ser contornada.
Sentir pesar só vai contribuir para que essas pessoas se sintam cada vez mais pressionadas, se sintam um estorvo na vida de familiares e amigos, o que pode desencadear uma das principais consequências de quem sofre de dor crônica: a depressão.
Trate com normalidade e mostre que você está disponível para entender e ajudar.
Faça com que seu amigo ou familiar se sinta entendido e acolhido. Que você entende que a sua dor é real e precisa do entendimento das pessoas que estão em volta, assim como você está tendo a partir de agora.
A sua vontade de ajudar já vai ter um significado enorme para essa pessoa. Ela vai se sentir acolhida, amada e sabendo que pode contar com você.
Seja essa pessoa para o paciente de fibromialgia. E aí vamos começar a acolher nossos amigos e parentes que sofrem de dor crônica?