Não se compare com quem você era antes da dor

A dor crônica pode trazer consigo uma sensação de perda.

A perda da liberdade de movimento, a perda de como você costumava se sentir e de atividades que antes eram simples.

E, muitas vezes, focar nessa sensação pode alimentar o apego ao passado, o que pode tornar a experiência ainda mais dolorosa.

Em meio às lutas diárias é fundamental lembrar de um princípio essencial: não se compare com quem você era antes da dor.

Você, hoje, é uma nova pessoa.

Uma pessoa que enfrentou desafios e obstáculos que muitos nunca compreenderão.

Sua resiliência, força e determinação merecem o seu reconhecimento.

Não se compare com a sua versão pré-dor, mas sim com a pessoa que cresceu e evoluiu enfrentando esses desafios e está aqui lendo este texto.

Aceitar a pessoa que você é hoje, com todas as suas experiências e cicatrizes, é um ato de amor próprio e o primeiro passo para o autoconhecimento desta nova “eu” que está aí, nesta etapa da sua vida.

Uma “eu” mais resiliente, forte e determinada.

Orgulhe-se de você.

O que é autocompaixão na dor crônica e o que não é

É autocompaixão:

  • priorizar o seu bem estar
  • executar o tratamento de forma comprometida
  • focar no processo e não nos resultados
  • trabalhar a aceitação
  • permitir-se descansar
  • dar pequenos passos para seus objetivos pessoais
  • viver o momento presente
  • afastar-se de pessoas e ambientes tóxicos
  • cuidar do seu ambiente para que seu espaço te dê paz
  • cultivar novos sonhos

Não é autocompaixão:

  • render-se à não aceitação
  • deixar de ir a lugares que te fazem bem
  • se sobrecarregar
  • deixar o medo das crises te paralisar
  • ser refém das comparações
  • rigidez
  • focar no passado
  • tentar suprir e dar conta de tudo, mesmo com dor
  • dizer sim quando quer dizer não
  • deixar de fazer coisas que te dão prazer

Comece a se priorizar!

“Está com dor crônica e continua indo à praia?”

Outro dia, uma paciente me contou que ouviu esta frase agressiva de uma conhecida.

Ela se sentiu mal com a pergunta passivo-agressiva (com razão), afinal, estar na praia é um momento de prazer, que faz bem e, mesmo ali, com os pés fincados na areia, minha paciente estava convivendo com a dor.

Como médica, minha recomendação é: está com dor e gosta de praia? Vá à praia, sim! Vá, olhe o céu azul, sinta o aroma da brisa do mar, o focinho da areia nos pés…

Tome uma água de côco geladinha, escute os pássaros, o som do oceano e dos jovens jogando altinha.

Viva seu momento de prazer plenamente!

Isso é mindfulness. É estar presente nas sensações e é estratégia comprovada para diminuir a sensação de dor.

Quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer. Portanto, viva um estilo de vida focado no que te faz bem e feliz!

E se alguém questionar que você está fazendo algo que você ama durante uma crise de dor, pode responder: foi minha médica quem recomendou!

Trabalhando a autoaceitação

A resistência nos atrasa e, a aceitação pode nos ajudar a encontrar estratégias para lidar com os cenários que compõem a nossa realidade, pois a realidade é como é.

Por isso estou compartilhando com vocês alguns trechos do livro “Manual de Mindfulness e Autocompaixão: Um Guia Para Construir Forças Internas e Prosperar na Arte de Ser Seu Melhor Amigo”.

“Mindfulness não envolve apenas prestar atenção ao que está acontecendo no momento presente. Também envolve certa qualidade de atenção – aceitar o que está acontecendo, sem se perder em julgamentos de bom ou mau. Essa atitude é frequentemente descrita como não resistência. Resistência se refere ao conflito que ocorre quando achamos que nossa experiência momento a momento deveria ser diferente do que é.

Por exemplo, a resistência ao trânsito na hora do Rush poderia ser assim: Droga! A rodovia está totalmente bloqueada. Vou me atrasar para o jantar mais uma vez! Não acredito que aquele idiota tentou cortar a minha frente logo na ladeira. Estou tão incomodado com isso que a vontade é de gritar!!

Aceitação significa que, mesmo que possamos não gostar do que está acontecendo, reconhecemos que está acontecendo e podemos relaxar quanto ao fato de que as coisas não são exatamente da forma como queremos que sejam.”

A autoaceitação faz parte do tratamento.

Viver com dor e mais qualidade de vida é possível!

 

Montando um quadro de dor

A dor nunca é isolada, é sempre resultado de uma série de fatores, como “pecinhas” de um quebra-cabeça, que vamos montando até entender o quadro geral.

É por isso que um desentendimento no trabalho ou uma briga com o marido podem contribuir para o aumento da dor. Não por ser a causa em si, mas pode ser uma das pecinhas importantes desse quebra-cabeça.

O “quebra-cabeça” da dor e incapacidade

Saber como é o dia a dia do paciente, se a sua casa tem ou não escada e sua relação com os colegas de trabalho são alguns exemplos de informações valiosas para o trabalho do fisiatra.

Isso por que o fisiatra avalia a pessoa como um todo, já que vários aspectos influenciam na sensação de dor, na funcionalidade e na qualidade de vida do paciente.

É nosso papel tentar entender as “pecinhas” do quebra-cabeça daquela pessoa que podem estar contribuindo para o aumento da dor e diminuindo a função.

Além disso, o fisiatra tem a visão de avaliar e melhorar a função da pessoa.

Ajude a melhorar mais vidas! Envie para quem precisa ler esse conteúdo!

Atitudes que NÃO ajudam os portadores de dor crônica

  • Quando o portador de dor crônica se abrir sobre sua dor e a pessoa conta o caso da prima da amiga da vizinha que tem uma dor muito pior que a dela.
  • Falar que a dor é psicológica
  • Falar que a pessoa precisa “orar mais” ou que a sua dor é “falta de deus”.

 

E como você pode ajudar?

  • Quando estiver com a pessoa, fale de assuntos positivos ou divertidos com leveza.
  • Acolha a dor da pessoa, muitas vezes ouvir e se mostrar presente é suficiente.
  • Promova momentos divertidos com a pessoa.
  • Estimule a pessoa com palavras e atitudes.

 

Simples assim!

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