“Dra., tomei o mesmo remédio para dor que a minha amiga e para mim não deu certo. Por que?”

Essa pergunta é mais comum do que se imagina em um consultório de especialista em dor crônica.

O paciente de dor geralmente já tentou de tudo, de remédio de farmácia a técnicas holísticas para diminuir a sensação de dor.

E, muitas vezes, este paciente traz a história de um amigo que experimentou o remédio X ou a terapia Y, teve ótimos resultados, mas para ele não fazem nem cosquinhas.

Por que isso acontece?

Primeiro, porque a dor é multifatorial. Ou seja, não é apenas um fator que determina a dor, mas um conjunto de coisas.

Então, naturalmente, cada quadro de dor conta com um “quebra-cabeça” único, com fatores únicos que influenciam na percepção da dor daquele paciente.

Além disso, a percepção de dor é uma interpretação do cérebro para determinado estímulo. Funciona assim:

O cérebro recebe um estímulo e interpreta como dor, ou coceira, ou prazer, ou cócegas… Essas sensações são frutos de uma interpretação do cérebro.

 

Em alguns quadros de dor, essa interpretação está disfuncional. É o caso, por exemplo, de doenças como a neuralgia do trigêmeo, em que o simples bater do vento no rosto do paciente pode ser interpretado como dor.

Por isso que um mesmo remédio pode não funcionar para duas pessoas com a mesma dor. Por que trabalhamos com interpretações do cérebro sobre estímulos e isso varia de caso para caso.

No tratamento, trabalhamos de forma personalizada, atendendo cada caso em sua individualidade, contemplando as diferentes áreas da vida que são acometidas pela dor (e que potencializam esta mesma dor).

Viver com mais qualidade de vida e menos dor é possível!

“Está com dor crônica e continua indo à praia?”

Outro dia, uma paciente me contou que ouviu esta frase agressiva de uma conhecida.

Ela se sentiu mal com a pergunta passivo-agressiva (com razão), afinal, estar na praia é um momento de prazer, que faz bem e, mesmo ali, com os pés fincados na areia, minha paciente estava convivendo com a dor.

Como médica, minha recomendação é: está com dor e gosta de praia? Vá à praia, sim! Vá, olhe o céu azul, sinta o aroma da brisa do mar, o focinho da areia nos pés…

Tome uma água de côco geladinha, escute os pássaros, o som do oceano e dos jovens jogando altinha.

Viva seu momento de prazer plenamente!

Isso é mindfulness. É estar presente nas sensações e é estratégia comprovada para diminuir a sensação de dor.

Quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer. Portanto, viva um estilo de vida focado no que te faz bem e feliz!

E se alguém questionar que você está fazendo algo que você ama durante uma crise de dor, pode responder: foi minha médica quem recomendou!

Qual o melhor exercício para quem tem dor crônica?

Um grande mito que circula no universo da dor crônica é o de que quem está sentindo dor deve ficar de repouso.

Além deste mito não ter nenhum embasamento científico, na verdade, a falta de movimento pode piorar a sensação de dor.

Se exercitar é parte do tratamento de dor crônica. Mas, qual a melhor atividade para estes casos?

A resposta é: depende!

É fundamental contar com o apoio de um educador físico e fisioterapeuta especializados em dor crônica, que são responsáveis por ajudar a determinar o exercício para cada caso.

É importante que a atividade escolhida seja algo que você goste e que seja acompanhado pelo profissional especializado.

Se for algo na praia ou qualquer forma de manifestação da natureza, melhor ainda! O contato com a natureza, o céu azul e o mindfulness nestes ambientes ajuda a diminuir a percepção de dor.

5 palavras que quem está em reabilitação precisa ter em mente

PROCESSO

O foco é no processo e no progresso, não na velocidade. Portanto, foque nos pequenos passos, um após o outro. Crie o hábito de se parabenizar por cada pequena conquista alcançada e cada dia vencido. Você merece!

ACEITAÇÃO

Muitas vezes, uma lesão neurológica muda a vida toda do paciente e aceitar isso pode ser muito difícil. Mas, não aceitar é ainda mais difícil, pois você precisa lidar com as mudanças e a resistência a elas.

Trabalhar a aceitação é fundamental para o tratamento e bem estar emocional!

TERAPIA

Trabalhar as emoções também faz parte do tratamento. A terapia cognitivo comportamental ajuda a digerir e ressignificar as mudanças geradas pela lesão neurológica, além de ajudar a desenvolver uma visão positiva sobre a própria vida.

CONFIANÇA

Confiar no seu médico é fundamental para o resultado do tratamento. Escolha um bom médico, que você se identifique, se sinta acolhido e, principalmente, que você confie na abordagem do especialista.

COMPROMETIMENTO

Estabeleça para si mesmo que o seu tratamento é sua prioridade neste momento. Estar comprometido com o tratamento é estar comprometido com você mesmo. Se priorize, se ame!

Trabalhando a autoaceitação

A resistência nos atrasa e, a aceitação pode nos ajudar a encontrar estratégias para lidar com os cenários que compõem a nossa realidade, pois a realidade é como é.

Por isso estou compartilhando com vocês alguns trechos do livro “Manual de Mindfulness e Autocompaixão: Um Guia Para Construir Forças Internas e Prosperar na Arte de Ser Seu Melhor Amigo”.

“Mindfulness não envolve apenas prestar atenção ao que está acontecendo no momento presente. Também envolve certa qualidade de atenção – aceitar o que está acontecendo, sem se perder em julgamentos de bom ou mau. Essa atitude é frequentemente descrita como não resistência. Resistência se refere ao conflito que ocorre quando achamos que nossa experiência momento a momento deveria ser diferente do que é.

Por exemplo, a resistência ao trânsito na hora do Rush poderia ser assim: Droga! A rodovia está totalmente bloqueada. Vou me atrasar para o jantar mais uma vez! Não acredito que aquele idiota tentou cortar a minha frente logo na ladeira. Estou tão incomodado com isso que a vontade é de gritar!!

Aceitação significa que, mesmo que possamos não gostar do que está acontecendo, reconhecemos que está acontecendo e podemos relaxar quanto ao fato de que as coisas não são exatamente da forma como queremos que sejam.”

A autoaceitação faz parte do tratamento.

Viver com dor e mais qualidade de vida é possível!

 

Tratamentos não farmacológicos para fibromialgia

Já é bem consolidada na literatura que uma das intervenções de primeira linha é o tratamento não farmacológico para fibromialgia.

E, principalmente, quando utilizado em conjunto com medicamentos, tem maior chance de:

  • controlar a intensidade da dor
  • melhorar a função
  • diminuir a incapacidade
  • melhorar sintomas depressivos
  • melhorar a qualidade do sono
  • diminuir a fadiga
  • controlar a ansiedade

5 exemplos de intervenções não farmacológicas bem estabelecidas na literatura

  1. Treino de mobilidade articular: exercícios na água, aeróbico, exercício de força, exercício articular, exerçamos (jogos interativos);
  2. Terapia manual com fisioterapeuta;
  3. Tratamentos com agulhas, como aguçamento seco e com analgésico, que aplico em consultório e possui ótimo custo-benefício;
  4. Técnicas terapêuticas da psicologia, como Terapia Cognitivo Comportamental;
  5. Educação do paciente: o paciente estar bem informado sobre sua condição, com diagnóstico correto e o que esperar dos tratamentos.

Vale lembrar que o tratamento para fibromialgia envolve um Plano Completo, que visa diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida e autonomia. O profissional indicado para elaborar esse plano é o fisiatra.