O que é autocompaixão na dor crônica e o que não é

É autocompaixão:

  • priorizar o seu bem estar
  • executar o tratamento de forma comprometida
  • focar no processo e não nos resultados
  • trabalhar a aceitação
  • permitir-se descansar
  • dar pequenos passos para seus objetivos pessoais
  • viver o momento presente
  • afastar-se de pessoas e ambientes tóxicos
  • cuidar do seu ambiente para que seu espaço te dê paz
  • cultivar novos sonhos

Não é autocompaixão:

  • render-se à não aceitação
  • deixar de ir a lugares que te fazem bem
  • se sobrecarregar
  • deixar o medo das crises te paralisar
  • ser refém das comparações
  • rigidez
  • focar no passado
  • tentar suprir e dar conta de tudo, mesmo com dor
  • dizer sim quando quer dizer não
  • deixar de fazer coisas que te dão prazer

Comece a se priorizar!

Por que o exercício ajuda no controle da dor?

Quando falamos de exercício físico para o controle da dor, muita gente pensa que é devido ao fortalecimento dos músculos. Mas não é só isso: o exercício funciona como um analgésico para a dor.

Como funciona?

O sistema nervoso é “neuroplástico”, o que significa que as alterações que ocorrem no estado de dor crônica podem ser revertidas.

Vários estudos têm demonstrado que o exercício melhora a dor mesmo na ausência de melhoras da força, flexibilidade ou resistência.

Ou seja, ao fazer atividade física não trabalhamos apenas o fortalecimento muscular isolado dos músculos dolorosos. Trabalhamos o efeito analgésico que o exercício proporciona ao corpo.

Ao utilizarmos o exercício como analgésico, a plasticidade cerebral relacionada à dor crônica é modificada.

Alguns estudos já mostram que o exercício não precisa ser focado no local da dor, já que seu efeito é sistêmico e atua no corpo inteiro.

O exercício feito na parte não dolorosa do corpo pode ter efeitos analgésicos sobre a parte dolorosa, já que os mecanismos da dor crônica vão além de um único ponto local.

Então, uma pessoa com dor crônica no ombro, por exemplo, pode exercitar as pernas e poderá ter os benefícios das substâncias liberadas na atividade física sentidos, inclusive, no alívio da dor no ombro.

Por que isso acontece?

Existem várias teorias. Uma delas é sobre a atuação da atividade física nos neurotransmissores.

Por exemplo, o exercício aumenta a liberação de serotonina, que promove analgesia e ativa uma via inibitória de dor.

Também pode influenciar outros neurotransmissores, como a dopamina e noradrenalina, aliviando a sensação de dor.

Além disso, já temos evidências de que as alterações moleculares e celulares na coluna vertebral e cérebro no estado de dor crônica podem ser revertidas com exercício.

Ou seja, não faltam motivos e evidências científicas para pessoas que convivem com dor fazerem atividade física.

Mas, lembre-se de que qualquer exercício deve ser supervisionado por um educador físico especializado e acompanhado pelo seu fisiatra.

Mindfulness para dor crônica

Se você convive com a dor crônica, é primordial olhar para o seu estilo de vida.

A dor é multifatorial, ou seja, pode ser provocada por diversos fatores diferentes e complementares. Portanto, nossa estratégia de enfrentamento também precisa ser multifatorial.

Por isso, para tratar a dor crônica, precisamos falar sobre um estilo de vida focado no seu bem estar.

É comprovado: quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer.

As técnicas de mindfulness (atenção plena no momento presente), por exemplo, trabalham a satisfação no aqui e agora.

Faça este exercício agora:
Feche seus olhos e preste atenção no barulho à sua volta.
Escute com atenção os sons que você não percebe normalmente. o cachorro latindo longe, o garfo tocando em um prato distante, a conversa abafada há alguns metros. Agora perceba como a única coisa permanente é o silêncio.
Os sons vêm e vão, passam, e o silêncio sempre retorna. Escute o silêncio. Agradeça pelo dom da escuta, pelo presente que é estar presente.

 

Este é um exemplo de exercício de mindfulness que trabalha a percepção do aqui e agora e é uma das estratégias comprovadas na redução da sensação de dor.

Se você gostou da experiência, vai gostar do livro “Atenção Plena”, de Mark Willians. É uma excelente indicação para trabalhar esta técnica no su cotidiano.

“Está com dor crônica e continua indo à praia?”

Outro dia, uma paciente me contou que ouviu esta frase agressiva de uma conhecida.

Ela se sentiu mal com a pergunta passivo-agressiva (com razão), afinal, estar na praia é um momento de prazer, que faz bem e, mesmo ali, com os pés fincados na areia, minha paciente estava convivendo com a dor.

Como médica, minha recomendação é: está com dor e gosta de praia? Vá à praia, sim! Vá, olhe o céu azul, sinta o aroma da brisa do mar, o focinho da areia nos pés…

Tome uma água de côco geladinha, escute os pássaros, o som do oceano e dos jovens jogando altinha.

Viva seu momento de prazer plenamente!

Isso é mindfulness. É estar presente nas sensações e é estratégia comprovada para diminuir a sensação de dor.

Quando você está fazendo algo que gosta, a tendência do cérebro é desfocar da dor e focar no prazer. Portanto, viva um estilo de vida focado no que te faz bem e feliz!

E se alguém questionar que você está fazendo algo que você ama durante uma crise de dor, pode responder: foi minha médica quem recomendou!

Um dia vou parar de sentir dor?

Dor crônica é uma doença crônica como qualquer outra, como diabetes, hipertensão ou asma.

Ou seja, é uma doença que precisa ser tratada durante toda a vida.

Em alguns casos, a dor pode cessar completamente. Mas, o objetivo, ao tratar a dor crônica, não deve ser o de deter a dor completamente, porque há casos em que isso não acontece e o paciente pode se frustar.

E a frustração pode desencadear quadros depressivos que podem agravar ainda mais a sensação de dor.

Em um tratamento de dor crônica realista e respeitoso com o paciente, deve estar claro que o objetivo deve ser viver cada vez com menos dor e mais qualidade de vida.